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FELIPE SCHEIFER
DE CASTILHO
ADVOCACIA
Trabalhista

Demitido por Justa Causa Sem Motivo: Como Reverter e O Que Se Recebe

A justa causa é a punição máxima do contrato de trabalho e exige falta grave comprovada. Veja quando ela pode ser revertida na Justiça do Trabalho e quais verbas voltam a ser devidas.

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Felipe Scheifer de Castilho

Advogado · OAB/PR 111.239

5 min de leitura
Demitido por Justa Causa Sem Motivo: Como Reverter e O Que Se Recebe

A demissão por justa causa retira do trabalhador quase tudo o que ele receberia numa dispensa comum: aviso prévio, multa do FGTS, saque do fundo, seguro-desemprego e décimo terceiro e férias proporcionais. Permanecem devidos o saldo de salário e as férias vencidas com um terço, e o FGTS já depositado continua na conta. Por ser tão severa, a lei a reserva a faltas graves e exige que o empregador prove o que alega. Quando isso não acontece, a justa causa pode ser revertida.

O que a lei considera justa causa

O art. 482 da CLT lista as hipóteses: ato de improbidade, incontinência de conduta ou mau procedimento, negociação habitual em concorrência com o empregador, condenação criminal transitada em julgado sem suspensão da execução da pena, desídia, embriaguez habitual ou em serviço, violação de segredo da empresa, indisciplina ou insubordinação, abandono de emprego, ato lesivo à honra ou ofensa física, prática constante de jogos de azar e perda, por conduta dolosa do empregado, da habilitação exigida para a função.

A lista é fechada. Fora dela não há justa causa, por mais que o empregador esteja insatisfeito com o desempenho do empregado.

Os requisitos que a Justiça do Trabalho verifica

Não basta que o fato se encaixe numa das hipóteses. A jurisprudência exige gravidade suficiente para romper a confiança, proporcionalidade entre a falta e a punição, imediatidade entre o conhecimento do fato e a dispensa, e ausência de dupla punição pelo mesmo fato. Uma advertência seguida de justa causa pelo mesmo episódio, por exemplo, não se sustenta.

A prova é do empregador. É ele quem afirma a falta grave e é ele quem precisa demonstrá-la com documentos, testemunhas ou registros. O empregado não precisa provar que não cometeu a falta; cabe a ele impugnar a versão apresentada e produzir contraprova quando possível.

Os casos mais comuns de reversão

Justa causa por desídia sem histórico de advertências ou suspensões. Abandono de emprego sem a notificação que pede o retorno ao trabalho. Insubordinação por recusa de ordem ilegal ou que colocava o trabalhador em risco. Justa causa aplicada semanas depois do fato, sem imediatidade. Faltas justificadas por atestado tratadas como abandono. Em todos esses cenários a ausência de prova da falta grave é o fundamento mais comum das decisões que afastam a justa causa.

O que se recebe quando a justa causa é revertida

A reversão transforma a dispensa em dispensa sem justa causa. Com isso voltam a ser devidos o aviso prévio indenizado, o décimo terceiro proporcional, as férias proporcionais com um terço, a multa de quarenta por cento sobre o FGTS e a liberação do saldo para saque, além das guias do seguro-desemprego. Em situações em que a acusação foi ofensiva e sem base, há decisões que reconhecem também dano moral, o que depende das circunstâncias de cada caso.

Prazo

A ação deve ser ajuizada em até dois anos contados do fim do contrato, e nela se cobram as parcelas dos cinco anos anteriores ao ajuizamento (art. 7º, XXIX, da Constituição). Passado o biênio, a pretensão prescreve.

O que reunir

Carteira de trabalho, contrato, holerites, a comunicação da dispensa com o motivo alegado, advertências ou suspensões anteriores, se houver, mensagens trocadas com a chefia e o nome de colegas que presenciaram os fatos. Com esse material é possível avaliar, antes de qualquer ação, se a justa causa tem chance de ser mantida ou de cair.

A justa causa é a exceção, não a regra. Quando é aplicada sem prova ou sem proporção, a discussão sobre a validade da dispensa permanece aberta.

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