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FELIPE SCHEIFER
DE CASTILHO
ADVOGADO · OAB/PR

Sucessões · 7 min

Planejamento Sucessório: Por Que Fazer em Vida e Como Proteger a Família

6 de abril de 2026

Planejamento Sucessório: Por Que Fazer em Vida e Como Proteger a Família

A maioria das pessoas pensa em inventário só depois que alguém falece, e então descobre quanto tempo, dinheiro e conflito familiar esse processo pode gerar. O planejamento sucessório existe exatamente para evitar esse cenário: ele organiza a transmissão do patrimônio antes que isso se torne uma urgência.

O que é planejamento sucessório

É o conjunto de medidas jurídicas tomadas em vida para organizar como o patrimônio será transmitido após o falecimento. O objetivo não é só economizar imposto, é evitar conflito, garantir que a vontade do titular seja respeitada e proteger a continuidade da família e dos negócios.

Por que fazer em vida é melhor do que deixar para o inventário

O inventário é caro. Taxas cartorárias, honorários de advogado, ITCMD (imposto sobre herança), o custo de um inventário pode chegar a 10% ou mais do valor total dos bens, dependendo do caso.

O inventário é lento. Inventários simples levam meses. Os complexos ou litigiosos podem levar anos, durante os quais os herdeiros ficam sem acesso aos bens.

O inventário pode gerar conflito. Quando o patrimônio não está organizado previamente, decisões que seriam simples, qual filho fica com a casa, como dividir as cotas da empresa familiar, se tornam disputas.

O planejamento feito em vida reduz ou elimina esses três problemas.

Quais são os principais instrumentos

Doação em vida com reserva de usufruto

Você transfere o imóvel ou bem para os filhos agora, mas mantém o direito de usar e receber rendas do bem enquanto viver. O bem já sai do inventário, o processo de transmissão é mais simples, e você continua usufruindo do patrimônio.

É necessário cuidado com os limites legais: a lei reserva 50% do patrimônio aos herdeiros necessários (a chamada legítima, art. 1.846 do Código Civil) e você só pode dispor livremente da outra metade.

Há ainda um ponto que costuma surpreender as famílias: a doação de pai ou mãe para filho é, em regra, considerada adiantamento da herança (art. 544 do Código Civil). Isso significa que, no futuro inventário, esse valor deverá ser "trazido à colação", ou seja, computado na partilha para igualar os quinhões entre os filhos, salvo se houver dispensa expressa de colação, feita dentro da parte disponível. Por isso, doar um bem a um filho em vida não significa, automaticamente, beneficiá-lo em relação aos demais: a igualação pode ser exigida depois. Esse é exatamente o tipo de detalhe que um planejamento bem feito antecipa.

Testamento

Permite definir como a metade disponível do patrimônio será distribuída, e incluir cláusulas de proteção como incomunicabilidade (o bem não entra na partilha do casamento do herdeiro) e impenhorabilidade (protege contra dívidas do herdeiro).

O testamento não elimina o inventário, mas simplifica e direciona o processo.

Holding familiar

Uma empresa constituída para reunir e administrar os bens da família. A transmissão do patrimônio se dá pelas cotas da empresa, o que facilita a gestão, reduz conflito e, em muitos casos, traz vantagens tributárias.

É um instrumento mais complexo, adequado para patrimônios maiores ou famílias com empresas.

Previdência privada com beneficiários

VGBL e PGBL com beneficiários indicados, em regra, não entram no inventário: o dinheiro vai diretamente para quem você indicou, com agilidade, o que faz desses planos uma forma eficiente de garantir liquidez imediata para a família. Isso decorre da natureza securitária reconhecida a esses planos pela jurisprudência (assemelhada a seguro de pessoa, art. 794 do Código Civil).

Há, porém, dois pontos que precisam ser ditos com honestidade, para não criar expectativas equivocadas:

Não é uma blindagem automática. A regra geral (não integrar a herança, não sofrer ITCMD) pode ser afastada quando, no caso concreto, o plano é usado de forma desvirtuada, como mero investimento financeiro ou com o objetivo de fraudar a legítima dos herdeiros necessários (por exemplo, aportes muito elevados, feitos por titular idoso pouco antes do falecimento). Nessas situações, o STJ admite que os valores sejam trazidos ao inventário (colação) e tributados. A própria incidência ou não do ITCMD sobre VGBL/PGBL transmitidos por morte está em discussão no Supremo Tribunal Federal (Tema 1.214 da repercussão geral), ainda pendente de julgamento definitivo, ou seja, é tema que pode evoluir.

Não há "imposto de herança", mas há Imposto de Renda. Mesmo sem ITCMD, o resgate dos planos pelos beneficiários sofre, em regra, retenção de IR conforme a tabela do plano. Não confunda ausência de ITCMD com ausência total de tributação.

Quando é a hora certa de começar

A resposta honesta é: agora. Não existe patrimônio pequeno demais para se preocupar com a sucessão. Um apartamento, um terreno, cotas de empresa, qualquer bem imóvel entra no inventário se não houver planejamento.

O melhor momento é quando você tem saúde, clareza de mente e tempo para tomar decisões sem pressa. Esperar uma doença grave ou a velhice avançada reduz as opções.

O que verificar antes de começar

Antes de escolher os instrumentos, é importante entender:

  • Qual é o patrimônio total (bens, investimentos, participações em empresas)
  • Quem são os herdeiros e quais são as relações entre eles
  • Há negócio familiar que precisa continuar funcionando?
  • Existe algum herdeiro que precisa de proteção especial?

Com essas respostas, um advogado consegue indicar qual combinação de instrumentos faz mais sentido.

Um aviso importante

Planejamento sucessório mal feito pode ser contestado. Doações que tentam fraudar a legítima dos herdeiros necessários, holdings constituídas às pressas sem substância real, testamentos com vícios formais, tudo isso pode ser anulado. A estrutura precisa ser correta desde o início.

Se você quer organizar o patrimônio e garantir tranquilidade para a família em Ponta Grossa ou na região dos Campos Gerais, o primeiro passo é uma conversa para entender sua situação.

Este conteúdo possui finalidade informativa e educativa. A orientação adequada depende da análise individual dos documentos e das circunstâncias específicas de cada caso. Entre em contato para uma avaliação técnica do seu problema jurídico.

Próximo passo

Receba uma avaliação técnica antes de tomar uma decisão jurídica relevante.

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